segunda-feira, 23 de julho de 2007

Aproveite o Dia

Não sei por que ao certo, mas me lembrei daquela expressãozinha “Carpe Diem”. Aproveite o dia. O que todos nos dizem é que devemos aproveitar cada segundo, não importa o passado e que o futuro venha. O que deve se viver é o presente.
Passei, então, a avaliar o presente. E descobri que o presente não existe. Existe um lapso de segundo entre algo passado e algo que ainda virá. Mas não existe presente. Agora, por exemplo. Olhe para sua janela e veja o que acontece lá fora. Pronto, já é passado. O fato de você olhar a janela ficou no passado, já é um fato que aconteceu e não acontecerá de modo igual nunca mais.
Jogue as mãos para cima, grite. Tudo isso já é passado e não presente. O gerúndio, então, é falho. Ninguém está andando. Ou já andou ou irá andar. Ninguém ‘anda’. Ou ‘andou’ ou ‘andará’. Como aproveitar o presente se o presente não existe?
Vivemos de transição. Transição do que somos para o que não somos. Transição de um lugar ‘x’ para um lugar ‘y’. Do não estar para o estar. Todas as suas lembranças pertencem ao passado. Assim, então, vejo que não existe o futuro. Só o passado. Vivemos sem ter o amanhã nem o hoje. Vivemos em função do passado e de futuros passados. Presentes que se tornarão passados em frações de milésimos de segundos. Já surge, então, outro passado. E outro, e outro.
Como buscar o aproveitamento completo, o “Carpe Diem” se o dia não existe?
Pisque duas vezes. Alguém morreu, alguém nasceu, alguém brigou. Todas as ações estão no passado. Todos seus planos futuros não pertencem mais a um futuro, mas sim a um breve e próximo pré-passado.
Vivemos, então, em função do que deixamos para trás. Não do que iremos fazer, porque tudo isso, uma hora ou outra, será passado. Agora mesmo, não é mais agora. Não existe o agora. Existe o ‘já foi’.
Este momento já está no passado. Eu já estou no passado. Então, para que caminhar a frente se já estamos atrás?
Começo, meio e fim?
Ou só meio?
Ou só fim?
Ou nada?

2 comentários:

Anônimo disse...

Simplesmente maravilhosa a sua visão a respeito do conceito TEMPO. E refletindo, é exatemente isso o que acontece, isto é, muitas coisas acontecem em frações de segundo.
Se analisarmos a questão do tempo, vemos que é puramente relativa, pois o tempo pode ser extenso ou curto, dependendo da sua perspectiva a respeito dele, ainda mais se algo que estiver sendo feito for prazeroso ou não.
Existe, realmente, o momento que é o passado, o presente e o futuro ao mesmo. Isso tudo porque somos pura energia, energia essa capaz de transpor o tempo, o espaço, somos fruto então do que pensamos e se pensamos em tempo, temos o tempo, se pensamos em energia, somos energia.
Enfim, tudo é uma questão de tempo para compreender tais conceitos.

Amigo Phabius, quero lhe parabenizar pelo texto maravilhoso que escreveu. Gostei demais.
Abraços e até seu próximo escrito.

Anônimo disse...

E quando dizemos "Estou tão feliz!", é passado?

O presente na forma de lapso como você o descreve, não existe. O presente de uma forma geral, acho que sim.

De qualquer forma, ao pensar demais sobre o tal presente não aproveitamos o que ele tem a nos oferecer e isso tira todo o sentido do Carpem Die. =D

Adorei seu blog, foi a Naná quem me passou! Farei visitas!

Beijos!