Foi estranho. Sim, foi estranho.
Tive uma epifania hoje. Uma que não me levou a nenhum lugar nem trouxe sábios conhecimentos ou idéias. Férias realmente não são boas para aqueles que vivem sobre o comando de um relógio. E assim sou, um maníaco escravo pelos minutos. Necessito de prazos, horários e datas. Assim funciono e sou feliz em minha loucura. E quem não é louco? Não, não é essa a epifania.
Em meu mês de férias, tiro as madrugadas para escrever, além de, recentemente, ter descoberto um parceiro de boemia com quem dialogo até o amanhecer. Deitando-me tarde (ou cedo?!) acordo tarde. Alguns dias atrás, não me lembro ao certo quando foi, fiquei literalmente o dia inteiro dentro de meu quarto. Televisão, textos e a pilha de livros que me encara toda vez que me lembro dos títulos que devo ler antes de agosto. Mas Nelson Rodrigues vive me chamando e “A Vida Como Ela É” tomou a preferência. Deixe-me chegar logo ao ponto, odeio uma epifania longa.
Escrevo sobre o que vejo. O tal texto do cigarro tem seu quê de vida real. Não revelarei até onde vai a realidade e onde entra a criatividade, pois perderia sua magia — se é que já não se perdeu com essas poucas palavras. Pouco me importa. Não irei relê-lo mesmo. Voltando, escrevo sobre o que vejo. As inspirações não vêm de mim, vêm do mundo. Não estando no mundo, ficarei sem. E fico aqui, a pensar tais bobagens que não levam a lugar algum. Como falei, foi uma péssima epifania.
Foi estranho, mas foi intenso. E verdadeiro. Quantas pessoas vivem em seus quartos durante a vida toda e não se deixam sair. Quantos rostos mortos na multidão empobrecida pela tristeza da tristeza do outro — porque nunca estamos tristes por nós, mas pelo que os outros fizeram ou não por nós! — e nunca saíram de seus quartos. Quartos, salas, casas, teto. Proteções, muros, muralhas. Vidraças. Vidraças seria bom, pelo menos vê-se o que tem lá fora, mas jamais tocar esse mundo.
Foi estranho.
Amanhã sairei.
Tive uma epifania hoje. Uma que não me levou a nenhum lugar nem trouxe sábios conhecimentos ou idéias. Férias realmente não são boas para aqueles que vivem sobre o comando de um relógio. E assim sou, um maníaco escravo pelos minutos. Necessito de prazos, horários e datas. Assim funciono e sou feliz em minha loucura. E quem não é louco? Não, não é essa a epifania.
Em meu mês de férias, tiro as madrugadas para escrever, além de, recentemente, ter descoberto um parceiro de boemia com quem dialogo até o amanhecer. Deitando-me tarde (ou cedo?!) acordo tarde. Alguns dias atrás, não me lembro ao certo quando foi, fiquei literalmente o dia inteiro dentro de meu quarto. Televisão, textos e a pilha de livros que me encara toda vez que me lembro dos títulos que devo ler antes de agosto. Mas Nelson Rodrigues vive me chamando e “A Vida Como Ela É” tomou a preferência. Deixe-me chegar logo ao ponto, odeio uma epifania longa.
Escrevo sobre o que vejo. O tal texto do cigarro tem seu quê de vida real. Não revelarei até onde vai a realidade e onde entra a criatividade, pois perderia sua magia — se é que já não se perdeu com essas poucas palavras. Pouco me importa. Não irei relê-lo mesmo. Voltando, escrevo sobre o que vejo. As inspirações não vêm de mim, vêm do mundo. Não estando no mundo, ficarei sem. E fico aqui, a pensar tais bobagens que não levam a lugar algum. Como falei, foi uma péssima epifania.
Foi estranho, mas foi intenso. E verdadeiro. Quantas pessoas vivem em seus quartos durante a vida toda e não se deixam sair. Quantos rostos mortos na multidão empobrecida pela tristeza da tristeza do outro — porque nunca estamos tristes por nós, mas pelo que os outros fizeram ou não por nós! — e nunca saíram de seus quartos. Quartos, salas, casas, teto. Proteções, muros, muralhas. Vidraças. Vidraças seria bom, pelo menos vê-se o que tem lá fora, mas jamais tocar esse mundo.
Foi estranho.
Amanhã sairei.
Um comentário:
Belo texto, meu querido amigo. Suas palavras são suaves, é uma leveza na leitura. Parabéns pelo seu dom.
Realmente sou como você, vivo legal apenas sob pressão. É importante ter regras, horários.
Um grande abraço e continue assim.
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