Conversei com a lua dia desses. Ou melhor, noite dessas.
Estava chegando, solitário, murmurando mil motivos para tentar trazer um sorriso ao meu rosto e nenhum desses motivos conseguia seu feito. Olhei para o céu limpo, sem nuvens, repleto de estrelas. E a lua. Cheia, majestosa, um brilho tão forte e tão belo que até merecia o título de estrela. Estava extremamente frio. Ocasionalmente surgiam aquelas pequenas nuvens que cruzavam o céu velozmente ao sabor do vento, como se fugissem de algo. E, ali, em seu trono celestial, estava a lua.
Perguntei a ela o que ela achava da solidão. E, astutamente, ela me respondeu:
— Não existe ser mais só do que eu sou. Fico aqui todas as noites, brilhando incessantemente e sem ninguém para observar. A noite pertence aos poucos que dão valor às simples coisas, como meu brilho, por exemplo. O único som que ouço é de meu amigo vento, que sempre traz boas coisas consigo. O vento traz mudanças.
— Em meu céu, as únicas companheiras não são vivas. Às vezes me magôo, a solidão torna-se insuportável. Então eu minguo. Fico apagada, esquecida, muitas vezes nem se lembram que existo. O tempo passa, os ventos mudam e eu retomo minhas esperanças. Renasço.
— A solidão faz parte do que sou. Meu brilho é bonito, embora poucos possam admirá-lo. Por fim, não fico completamente triste em saber que passarei todas as minhas noites sozinha. Tenho uma recompensa que também é para poucos. Todas as manhãs, meu amigo Sol faz um espetáculo magnífico, só para mim. É isso que me dá forças de voltar a brilhar...
Admirei-a por mais alguns instantes. Ela pediu que eu não sofresse; que a solidão não é para os ruins nem é vista como punição. Pelo contrário, ela purifica. Todos os que são sozinhos terão sua recompensa, mais cedo ou mais tarde.
Deito-me, então, à espera de minha recompensa.
Estava chegando, solitário, murmurando mil motivos para tentar trazer um sorriso ao meu rosto e nenhum desses motivos conseguia seu feito. Olhei para o céu limpo, sem nuvens, repleto de estrelas. E a lua. Cheia, majestosa, um brilho tão forte e tão belo que até merecia o título de estrela. Estava extremamente frio. Ocasionalmente surgiam aquelas pequenas nuvens que cruzavam o céu velozmente ao sabor do vento, como se fugissem de algo. E, ali, em seu trono celestial, estava a lua.
Perguntei a ela o que ela achava da solidão. E, astutamente, ela me respondeu:
— Não existe ser mais só do que eu sou. Fico aqui todas as noites, brilhando incessantemente e sem ninguém para observar. A noite pertence aos poucos que dão valor às simples coisas, como meu brilho, por exemplo. O único som que ouço é de meu amigo vento, que sempre traz boas coisas consigo. O vento traz mudanças.
— Em meu céu, as únicas companheiras não são vivas. Às vezes me magôo, a solidão torna-se insuportável. Então eu minguo. Fico apagada, esquecida, muitas vezes nem se lembram que existo. O tempo passa, os ventos mudam e eu retomo minhas esperanças. Renasço.
— A solidão faz parte do que sou. Meu brilho é bonito, embora poucos possam admirá-lo. Por fim, não fico completamente triste em saber que passarei todas as minhas noites sozinha. Tenho uma recompensa que também é para poucos. Todas as manhãs, meu amigo Sol faz um espetáculo magnífico, só para mim. É isso que me dá forças de voltar a brilhar...
Admirei-a por mais alguns instantes. Ela pediu que eu não sofresse; que a solidão não é para os ruins nem é vista como punição. Pelo contrário, ela purifica. Todos os que são sozinhos terão sua recompensa, mais cedo ou mais tarde.
Deito-me, então, à espera de minha recompensa.